VISITA AO BAIRRO ALTO DA COVA DA MOURA   Leave a comment

CovadaMoura (71)

Visita Guiada ao Bairro Alto da Cova da Moura organizada pela professora de Literatura Africana de Expressão Portuguesa, Maria Cremilda Dionísio Salvador

 

Às 9 h e 15 m da manhã do dia 17 de Abril partimos de comboio de Santarém para a estação do Oriente, levando na bagagem muita disposição e expectativas elevadas, rumo à Cova da Moura.

Ansiávamos ver “in loco” a paz e bom viver buliçoso que já nos fora anunciado em Maio do ano passado durante a Semana Africana, e desmistificar o preconceito negativo de violência e ameaça veiculado pela comunicação social e empolado pela imaginação pessimista do desconhecimento.

Tivemos um guia empenhado, o Edir, e duas meninas estrangeiras, muito simpáticas que acompanharam a visita.

Conhecemos a Associação de Moradores do Bairro Alto da Cova da Moura, principalmente o núcleo do Moinho da Juventude com as suas amplas e variadas vertentes sociais: Biblioteca, Centro de Documentação, Centro de Formação, com cursos adequados às necessidades pontuais, mediadores culturais, puericultura (acompanhando mães adolescentes que foram orientadas antes do nascimentos dos seus bebés num curso agora extinto), curso básico de informática, curso de prevenção de HIV-SIDA, ATL, etc.

Há três creches até aos três anos. Um pertence à Santa Casa da Misericórdia, outra à Paróquia e a outra é um pólo do Moinho da Juventude. Todos nos encantamos com o aspecto cuidado e organizado destes espaços, com as belas pinturas murais realizadas por jovens talentosos e o civismo que daqui transpira.

O Bairro Alto da Cova da Moura está a ser requalificado, depois de assinado o Protocolo em Novembro que assegura a permanência do Bairro como está e dos seus moradores. As casas foram construídas pelos próprios há muitos anos e melhoradas conforme vão tendo possibilidades. O Moinho do Alto, em ruínas, agora vai ser preservado enquanto monumento, mas reconstruído e transformado noutra biblioteca para servir a população.

Há cerca de 9.000 moradores, Existem aí vinte e dois restaurantes e vinte e nove salões de cabeleireiro, especializados em tratamento de cabelo e penteados afro.

Tivemos conhecimento do Projecto Sabura – palavra crioula, que, não tendo uma tradução específica em português, simboliza tudo o que é positivo. A este projecto estão vinculados diversos restaurantes, cada um simbolizando uma ilha de Cabo Verde. Calhou irmos almoçar ao “Cantinho do Telheiro”, propriedade de uma família simpaticíssima de três pessoas, que tendo aderido há pouco ao programa e sendo a nossa a primeira visita desde aí, nos receberam opiparamente, tendo o dono oferecido gratuitamente um excelente vinho de reserva.

Vimos ainda um edifício grande pertencente à Santa Casa da Misericórdia, um Lar de Idosos, mas como a tradição da família africana valoriza muito os mais velhos como fontes de sabedoria, valores, tradição e afectos, não existem entre os utentes do mesmo cabo-verdianos. Como a vida é difícil, há nele beneficiários de outras origens, de famílias residentes no bairro.

50% da População do Bairro é cabo-verdiana; 30% são portugueses, brancos, retornados das ex-colónias; 10% de origem diversa – Angola, Guiné, países de Leste, etc.

Sentimos bem-estar, nobreza no trato, orgulho nas realizações, vaidade de ser, e a certeza de sermos bem-vindos e podermos voltar sem receio.

Aceitamos gostosamente o convite e num qualquer dos próximos fins de semana lá voltaremos, desta feita individualmente.

 

Milly Barreiros

Posted 21/04/2008 by utisantarem in EVENTOS ACADÉMICOS

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