OS VELHOS DO RESTEO   Leave a comment

Os Velhos do Restelo

 

O paradigma da vida em comunidade exige, como princípios primordiais do seu próprio fundamento: o respeito pela individualidade de cada um e que o interesse do colectivo se sobreponha ao individual.

São estes princípios que nos conferem a condição de seres racionais e nos permitem a busca da harmonia e da convivência pacífica com o nosso semelhante. Em oposição, quando se perturba este equilíbrio fundamental ao exercício da nossa cidadania, estabelece-se o caos e impera o instinto de sobrevivência e a lei do mais forte. A tentação de aceitar este tipo de situação como justificativo de uma sociedade onde imperam elevados padrões de competição e individualismo é, de alguma forma, a aceitação da nossa falência como seres racionais. Existe ainda uma terceira forma de perturbação desta harmonia que se revela de uma forma insidiosa e que consiste na perturbação sistemática do que está bem, pela subtil denúncia de pormenores sem importância aparente, mas que conferem ao proponente uma importância que doutra forma não lhe é reconhecida.

Ao matricular-me na UTIS foi meu propósito alargar o âmbito os meus conhecimentos a áreas que, até aquela altura, a vida não permitiu concretizarem-se. Igualmente me entusiasmou o espírito de camaradagem e são convívio que tinha conhecimento existirem. Encontrei de facto muito mais: pessoas verdadeiramente solidárias e interessadas, ausência de “estatutos” balofos e despropositados, respeito pelas naturais diferenças entre nós, sem qualquer tipo de privilégios imerecidos, enfim gente boa.

Para além disso, tenho verificado que muitos encontram na UTIS uma forma excelente de combater a solidão a que ao atingirem a aposentação ficam votados, pelo natural afastamento dos filhos e daqueles com quem durante muitos anos de perto conviveram. Por isso, dedicam uma atenção muito especial à sua UTIS, aos novos companheiros e a colaboração é sempre desinteressada e espontânea, dando assim um novo sentido às suas vidas.

Vem tudo isto a propósito de algumas situações desagradáveis que recentemente presenciei enquanto aluno desta Universidade e que perturbam o bom ambiente que, felizmente, prevalece apesar destes acontecimentos. Existem pessoas que revelam uma preocupação doentia em identificar e salientar algumas (poucas) pequenas falhas que naturalmente sempre existem, mas a essas mesmas pessoas, nunca as vi salientar as muitas coisas boas (e são muitas) que esta Universidade tem produzido. O contributo de cada um é algo que deve ser valorizado e a crítica oportuna e construtiva é sempre bem-vinda. Mas a atitude negativa e sem outro propósito que não seja a desestabilização será, pelo menos da minha parte, sempre denunciada.

A UTIS é de nós todos, mas ninguém é dono da UTIS.

 Como dizia John Fitzgerald Kennedy: “Não perguntes o que a América pode fazer por ti, diz antes o que tu podes fazer pela América”. Esta frase tão eloquente, ajusta-se perfeitamente ao acima descrito. Se cada um der de si o pouco que tem, com um sentimento do bem comum, a nossa Universidade pode crescer. Os poucos que tentam deixar cair o grão de areia que vai parar a engrenagem, estão condenados a não serem ouvidos e acabarem a falar sozinhos.

Albano Silva

Posted 30/05/2008 by utisantarem in TUNA DA UTIS

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