PASSATEMPO “PRIMEIRO CONTO DE 2010”   Leave a comment

Numa organização conjunta da seniors.org e da Rádio Sim de Rio Maior, realizou-se a 10 de Janeiro o passatempo "Primeiro Conto de 2010". Participou a colega e Professora de Educação Ambiental da nossa Universidade, Emilia Daniel Leitão (Milocas) a quem foi atribuido, mais uma vez, o 1º P´rémio, pelo conto "A tia Margot".
 
 
 
 A TIA MARGOT

A tia Margot levanta-se cedo. Sai por volta das dez horas. Vai encontrar as amigas num café chique da baixa. Com sessenta anos, viúva de um coronel, é extremamente elegante. Parece acabada de sair de um instituto de beleza.
Pegou na carteira, verificou se levava o porta-moedas e o telemóvel. Fechou a porta e dirigiu-se para o metro. Encostou-se ao varão do meio. Sentiu roçarem-lhe a mala. O fecho estava aberto. Irritada, tocou no ombro do homem que a ultrapassara: – Ponha já aqui a carteira, discretamente e sem barulho. Disse autoritariamente. O homem franziu a testa. Relutantemente entregou-lhe a carteira. Saiu de imediato do metro.
A tia Margot resmungou por entre dentes: Ladrão! E ainda por cima com ar de cavalheiro. Que mundo este! Saiu na estação seguinte. Foi verificar se mais alguma coisa lhe tinha sido roubada. – O que é isto? Que horror! Roubei uma carteira! A pose da tia Margot desmoronou-se. Os seus pergaminhos estavam manchados. Desatou num pranto de meter dó. As pessoas que passavam deitavam-lhe um olhar de comiseração… – Precisa de ajuda? Quer que chame um polícia? – Sim, por favor, disse com a dignidade possível.
Contou ao polícia o sucedido, entregando-lhe a carteira. – Acompanhe-me à esquadra. Vamos identificar o dono. Sentaram-na numa sala. Iriam prendê-la? Viu o polícia falar com um colega, rindo-se. Que vergonha! Estavam a troçar dela. O que se seguiria? Não sabia se havia de telefonar ao seu advogado ou às amigas. Ia esperar mais um pouco e tentar acalmar-se. Talvez eles a mandassem embora, já que tinha entregue a carteira… Outro polícia pediu-lhe a identificação e preencheu montes de papéis. Ficaria com o registo criminal sujo? Iriam acusá-la de furto? – O dono da carteira chegou.
Terá de o identificar. Também vai ter de nos contar porque lhe entregou a carteira tão rapidamente. E o senhor explicou-se: – Quando me disse imperativamente: ”Ponha aqui a carteira”, vi encostado a si um homem moreno, musculado, carrancudo e de óculos escuros. Pensei que estava a seu mando. Sabe, não sou muito corajoso. Achei por bem obedecer. Tencionava apresentar queixa à polícia. – Peço-lhe desculpa! E eu a pensar que o senhor me tinha roubado. A tia Margot ficou chocada. O senhor, de seu nome Miguel Bettencourt, achara mesmo que ela era uma delinquente e cúmplice de um malfeitor… Quando a polícia os libertou das formalidades, Miguel convidou-a para um café, para descontraírem. Ela aceitou na ânsia de se fazer perdoar.
Querem saber como acabou a história? Um ano depois, casaram-se. Nós ainda hoje os tratamos pelos tios larápios o que continua a ser motivo para grandes gargalhadas em família 

Posted 29/01/2010 by utisantarem in TUNA DA UTIS

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